MOMENTOS






São tantas as vezes 
que me deixo ir,
umas, à velocidade do vento,
outras, com a intensidade da chuva,
umas, a olhar o firmamento,
outras, na recta da procura...
São tantas as vezes
que me perco sem atractivos,
que me disperso em rumos opostos
e descontínuos,,,
E o regresso
é sempre de mãos vazias
e trémulas e frias...
São tantas as vezes 
que me concedo devaneios,
que me sonho sem principio 
e sem fim
e sem sequer saber de mim!




14.12.2015

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AI ESTE CANSAÇO





Ai este cansaço
esta incapacidade dolente
de responder a esta fadiga
e a vida mormente a julgar-me 
perante a própria vida
e a tristeza concludente de sentir-me
convencida...
Já não há nas flores a magia poética
de me surpreenderem pela sua beleza
e no seu perfume já não sinto
o aroma típico da natureza.
Tudo é tão falso, fictício e ilusório
e o que me conduz
é apenas este cansaço,
este meu pequeno mundo irrisório
e esta sensação de colapso iminente,
de vontade acontecida, mas descrente...
Prefiro perder-me nas palavras
mesmo quando já não sei de mim,
nem das farsas, nem das mágoas,
nem do principio, nem do fim.
Sei deste cansaço,
sei talvez de outros cansaços também,
sei das vontades enfadonhas 
dos meus passos
e dos passos inseguros de alguém...
E sei do meu grito mudo,
do eco impassível aos sentidos
e da tranquilidade que às vezes finjo.
Ai este cansaço!



30.03.2016

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EU E EU





Eu já sabia 
que por vezes o caminho
por mim escolhido poderia ser íngreme
e que nessa altura a tua serenidade
seria equiparada aos breves momentos
em que o sol delicadamente se põe
na linha do horizonte.
Mas também sei que tu e eu
mais não somos
do que eternas aprendizes
dos espaços e dos tempos
que nos aproximam e afastam 
inexplicavelmente.
No entanto,
não me consigo dissociar de ti,
ou melhor, de mim e de mim,
talvez seja porque nos completamos...
E é a tua loucura
que agita a minha monotonia,
e é a minha paz
que te acorda todos os dias!



21.05.2016


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AS CASAS






São casas habitadas, algumas
e as que já não são, guardam histórias,
memórias, segredos, fantasias,
lágrimas e alegrias…
As mais antigas,
testemunharam algumas vezes
o milagre da vida e o mistério da morte.
Há também as que choram a sua sorte,
as que assumem o silêncio do fim
e cheiram a saudade demorada
e a vontades e a frenesim
ou simplesmente a nada…
No rescaldo do tempo abortam crenças
e ocultam ventres de madrugadas imaturas
como quem esquece o olhar da vida
e o que a vida não cura.
São fiéis depositárias 
e confidentes, as casas…
Quiçá confusas,
mas orgulhosamente mudas!


04.03.2016

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NA ESPESSURA DO TEMPO




Outra coisa,
é este meu olhar sombrio
a falar-te de todas as palavras
que não soubeste escutar,
de todas as lágrimas
que não viste perecerem
nos meus lábios trémulos...
Perdi-me na espessura do tempo
e agora ele serpenteia-se
neste amor imenso
que habita o meu peito de mulher.
Não vás por aí,
que os caminhos são pedregosos
e as ruelas quedam-se
em cada encruzilhada
que te esconde
que o tempo se esgota,
mas está longe do fim!


05.12.2011

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RECORDANDO... 42 ANOS DEPOIS



O que eu vi
eram flores,
cravos vermelhos
vencendo a censura,
Rostos, espelhos
de euforia nas ruas!

O que eu ouvi
eram vozes,
cânticos alegres
de louvor à liberdade,
lágrimas com vestes
de fé e verdade!

O que eu senti
foi coragem e união
num povo de garra
e destreza...
amor pela Pátria
que chorava até então
uma ditadura sem licença!

Ana Martins
25.04.2009


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ABRIL SEMPRE, MAIO ETERNAMENTE!



Trazes no olhar
Maio ainda envergonhado,
mas Abril no teu peito ainda pulsa
e as sementeiras que são o grito
do teu trabalho 
E as águas límpidas
De um riacho que não se escusa...

Mesmo que as andorinhas

Regressem em bandos celestiais,
Abril não fenece
Na força de quem labuta
E os vendavais serão como ecos ancestrais
E o Mês de Maio,
O diário das grandes lutas.

Somos um povo
Que se move com destreza
Na incerteza que ampara o amanhã,
mas é na verdade
Que demove qualquer displicência

Que desponta o brilho
E o aroma das manhãs!



02.05.2013 


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Momentos e reflexões







Na dúvida,
nunca dou um passo em frente,
prefiro que seja o tempo
a libertar-me da angustia
de me sentir intransigente.
Nada acontece por acaso
e sendo sempre o tempo
o melhor remédio,
não há como não lhe entregar
o benefício da dúvida,
a cada dúvida ou despautério.
Não gosto de nada 
que ultrapasse a fronteira
do razoável e do transparente,
assim como também não aceito
que a essência da amizade
esteja permanentemente 
beliscada ou dormente.
Todos sabemos que não é
a proximidade ou a distância,
que nos faz mais ou menos 
amigos uns dos outros,
e sim, os laços e os alicerces
onde desabrocham sentimentos tão nobres,
como o respeito pelo espaço
de cada um e de todos.
Na dúvida,
prefiro-me sossegada no meu canto,
livre das investidas e dissabores que hoje,
não sabendo bem porquê,
ainda me causam espanto!

04.01.2016


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Dependência





Vingo-me desta sede imprópria 
e mato-a logo à partida 
mas, não posso servir-me 
da paz que não me habita... 
Prisioneira de uma vida 
que não devia ser a minha, 
vingo-me e abuso-me 
entre promessas imperfeitas 
e saudades interrompidas 
enquanto que, a minha mente 
estupidamente brutalizada, 
me priva da alegria 
que é acordar todos os dias... 
e vingo-me uma vez mais 
desta sede doentia 
que me amolga o discernimento 
e em mim se espelha, entorpecida. 
vingo-me e vingo-me 
neste palco de promessas falhadas, 
até que a peça termine 
e eu seja apenas 
o corpo inabitado, 
de uma alma imatura, 
acorrentada ao passado!

24.11.2012


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