RECORDANDO... 42 ANOS DEPOIS



O que eu vi
eram flores,
cravos vermelhos
vencendo a censura,
Rostos, espelhos
de euforia nas ruas!

O que eu ouvi
eram vozes,
cânticos alegres
de louvor à liberdade,
lágrimas com vestes
de fé e verdade!

O que eu senti
foi coragem e união
num povo de garra
e destreza...
amor pela Pátria
que chorava até então
uma ditadura sem licença!

Ana Martins
25.04.2009


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ABRIL SEMPRE, MAIO ETERNAMENTE!



Trazes no olhar
Maio ainda envergonhado,
mas Abril no teu peito ainda pulsa
e as sementeiras que são o grito
do teu trabalho 
E as águas límpidas
De um riacho que não se escusa...

Mesmo que as andorinhas

Regressem em bandos celestiais,
Abril não fenece
Na força de quem labuta
E os vendavais serão como ecos ancestrais
E o Mês de Maio,
O diário das grandes lutas.

Somos um povo
Que se move com destreza
Na incerteza que ampara o amanhã,
mas é na verdade
Que demove qualquer displicência

Que desponta o brilho
E o aroma das manhãs!



02.05.2013 


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Momentos e reflexões







Na dúvida,
nunca dou um passo em frente,
prefiro que seja o tempo
a libertar-me da angustia
de me sentir intransigente.
Nada acontece por acaso
e sendo sempre o tempo
o melhor remédio,
não há como não lhe entregar
o benefício da dúvida,
a cada dúvida ou despautério.
Não gosto de nada 
que ultrapasse a fronteira
do razoável e do transparente,
assim como também não aceito
que a essência da amizade
esteja permanentemente 
beliscada ou dormente.
Todos sabemos que não é
a proximidade ou a distância,
que nos faz mais ou menos 
amigos uns dos outros,
e sim, os laços e os alicerces
onde desabrocham sentimentos tão nobres,
como o respeito pelo espaço
de cada um e de todos.
Na dúvida,
prefiro-me sossegada no meu canto,
livre das investidas e dissabores que hoje,
não sabendo bem porquê,
ainda me causam espanto!

04.01.2016


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Dependência





Vingo-me desta sede imprópria 
e mato-a logo à partida 
mas, não posso servir-me 
da paz que não me habita... 
Prisioneira de uma vida 
que não devia ser a minha, 
vingo-me e abuso-me 
entre promessas imperfeitas 
e saudades interrompidas 
enquanto que, a minha mente 
estupidamente brutalizada, 
me priva da alegria 
que é acordar todos os dias... 
e vingo-me uma vez mais 
desta sede doentia 
que me amolga o discernimento 
e em mim se espelha, entorpecida. 
vingo-me e vingo-me 
neste palco de promessas falhadas, 
até que a peça termine 
e eu seja apenas 
o corpo inabitado, 
de uma alma imatura, 
acorrentada ao passado!

24.11.2012


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Estados de Alma!






Hoje o dia acordou
Mais alegre do que eu,
Preferia-o cinzento,
Semelhante a um abraço solidário.
Mas o tempo não tem
Que saber do meu cansaço
E o dia não nasce
Vestido das minhas mágoas.

A mim,
Pareceu-me que o Sol se espraiava
Num laranja atónito,
Um tom quente a lembrar
O fogo da paixão
Num silêncio cortante
Entre o erro e a razão...

A mim,
Pareceu-me que o dia preconizava
A liberdade e o amor
Na linha do horizonte onde o Sol
Todos os dias se põe!

11.04.2014




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Instante




Ainda assim,
Eu poderia mergulhar
Nos mares da incerteza
E deixar que fosse o tempo
A devolver-me as rédeas da vida...
Mas, 
Curto é o instante
Do semblante da noite
Quando veste o meu olhar,
E não me deixo mergulhar!



27/09/2011

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Entardeci


Foto de Fernanda Ferreira


Sim, é verdade, 
Entardeci a par 
E com a linha do horizonte, 
Ela foi-se desvanecendo lentamente 
Por forma a que o luar 
Pudesse ser o rei da noite, 
E eu, 
Envolvida pela magia do momento, 
Percorri lembranças, 
Chorei memórias, 
Sorri esperanças... 
Mas, 
Não assenti que o ocaso 
Me furtasse a lucidez 
E conscientemente 
Deixei-me aprisionar 
Por uma saudade apetecida
A roçar a brevidade espontânea, 
Paredes meias com a vida!


24.07.2013
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Enquanto a vida me Quiser...


Imagem via net


Voltarei a escrever-te
Sempre mais uma vez
Ainda que as palavras se repitam
E ao sentimento nada se acrescente.
Voltarei para falar-te
De amor e saudade,
Do rio que passa em liberdade
Ou das andorinhas
Que sempre regressam ao mesmo lugar.
Voltarei a falar-te do Sol,
Do vento e da chuva,
De um sorriso, de uma lágrima
Ou de uma escusa.
Voltarei para falar-te do mar,
De verdades, inverdades
Ou histórias de encantar.

Voltarei a escrever-te simplesmente
Porque a vida a ti me prende...

Voltarei a banhar-te de alegria,
A vestir-te de sonhos,
A rabiscar-te com utopias
E o ponto final
Que sempre terminará cada texto,
Nunca será o último
Enquanto a vida me quiser
Deste lado material do mundo
Onde em ti me exponho
Sem reticências ou qualquer pudor.
E saberei sempre falar de amor,
De uma rosa ou de um espinho,
De uma viela ou de um caminho,
Do traço descontínuo da vida
Ou da frieza com que ela termina.
E repetir-me-ei talvez
Numa teimosia deliberada
De afinco aos meus ideais
E amor à poesia.
Mas o certo,
É que voltarei a escrever-te
Do mundo, da fome, da guerra
E de tudo o que mais me aprouver
Enquanto a vida me quiser.



13/07/2013
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Entre o Reflexo de um Ocaso...




Entre o reflexo de um ocaso 
Que o tempo olvida, 
Acontece sem abraço 
Uma despedida... 
E a vida prossegue 
Com a cor do momento, 
Porque o tempo não ama, 
Não chora e não sente... 
E invoco memórias 
Entardecidas de saudade, 
Histórias de vida
Que são só minhas... 
E no espectro solar
 Que depura um ocaso, 
Componho um abraço
De despedida!


26/03/2013
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