EU E EU





Eu já sabia 
que por vezes o caminho
por mim escolhido poderia ser íngreme
e que nessa altura a tua serenidade
seria equiparada aos breves momentos
em que o sol delicadamente se põe
na linha do horizonte.
Mas também sei que tu e eu
mais não somos
do que eternas aprendizes
dos espaços e dos tempos
que nos aproximam e afastam 
inexplicavelmente.
No entanto,
não me consigo dissociar de ti,
ou melhor, de mim e de mim,
talvez seja porque nos completamos...
E é a tua loucura
que agita a minha monotonia,
e é a minha paz
que te acorda todos os dias!



21.05.2016


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AS CASAS






São casas habitadas, algumas
e as que já não são, guardam histórias,
memórias, segredos, fantasias,
lágrimas e alegrias…
As mais antigas,
testemunharam algumas vezes
o milagre da vida e o mistério da morte.
Há também as que choram a sua sorte,
as que assumem o silêncio do fim
e cheiram a saudade demorada
e a vontades e a frenesim
ou simplesmente a nada…
No rescaldo do tempo abortam crenças
e ocultam ventres de madrugadas imaturas
como quem esquece o olhar da vida
e o que a vida não cura.
São fiéis depositárias 
e confidentes, as casas…
Quiçá confusas,
mas orgulhosamente mudas!


04.03.2016

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NA ESPESSURA DO TEMPO




Outra coisa,
é este meu olhar sombrio
a falar-te de todas as palavras
que não soubeste escutar,
de todas as lágrimas
que não viste perecerem
nos meus lábios trémulos...
Perdi-me na espessura do tempo
e agora ele serpenteia-se
neste amor imenso
que habita o meu peito de mulher.
Não vás por aí,
que os caminhos são pedregosos
e as ruelas quedam-se
em cada encruzilhada
que te esconde
que o tempo se esgota,
mas está longe do fim!


05.12.2011

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RECORDANDO... 42 ANOS DEPOIS



O que eu vi
eram flores,
cravos vermelhos
vencendo a censura,
Rostos, espelhos
de euforia nas ruas!

O que eu ouvi
eram vozes,
cânticos alegres
de louvor à liberdade,
lágrimas com vestes
de fé e verdade!

O que eu senti
foi coragem e união
num povo de garra
e destreza...
amor pela Pátria
que chorava até então
uma ditadura sem licença!

Ana Martins
25.04.2009


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ABRIL SEMPRE, MAIO ETERNAMENTE!



Trazes no olhar
Maio ainda envergonhado,
mas Abril no teu peito ainda pulsa
e as sementeiras que são o grito
do teu trabalho 
E as águas límpidas
De um riacho que não se escusa...

Mesmo que as andorinhas

Regressem em bandos celestiais,
Abril não fenece
Na força de quem labuta
E os vendavais serão como ecos ancestrais
E o Mês de Maio,
O diário das grandes lutas.

Somos um povo
Que se move com destreza
Na incerteza que ampara o amanhã,
mas é na verdade
Que demove qualquer displicência

Que desponta o brilho
E o aroma das manhãs!



02.05.2013 


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Momentos e reflexões







Na dúvida,
nunca dou um passo em frente,
prefiro que seja o tempo
a libertar-me da angustia
de me sentir intransigente.
Nada acontece por acaso
e sendo sempre o tempo
o melhor remédio,
não há como não lhe entregar
o benefício da dúvida,
a cada dúvida ou despautério.
Não gosto de nada 
que ultrapasse a fronteira
do razoável e do transparente,
assim como também não aceito
que a essência da amizade
esteja permanentemente 
beliscada ou dormente.
Todos sabemos que não é
a proximidade ou a distância,
que nos faz mais ou menos 
amigos uns dos outros,
e sim, os laços e os alicerces
onde desabrocham sentimentos tão nobres,
como o respeito pelo espaço
de cada um e de todos.
Na dúvida,
prefiro-me sossegada no meu canto,
livre das investidas e dissabores que hoje,
não sabendo bem porquê,
ainda me causam espanto!

04.01.2016


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Dependência





Vingo-me desta sede imprópria 
e mato-a logo à partida 
mas, não posso servir-me 
da paz que não me habita... 
Prisioneira de uma vida 
que não devia ser a minha, 
vingo-me e abuso-me 
entre promessas imperfeitas 
e saudades interrompidas 
enquanto que, a minha mente 
estupidamente brutalizada, 
me priva da alegria 
que é acordar todos os dias... 
e vingo-me uma vez mais 
desta sede doentia 
que me amolga o discernimento 
e em mim se espelha, entorpecida. 
vingo-me e vingo-me 
neste palco de promessas falhadas, 
até que a peça termine 
e eu seja apenas 
o corpo inabitado, 
de uma alma imatura, 
acorrentada ao passado!

24.11.2012


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Estados de Alma!






Hoje o dia acordou
Mais alegre do que eu,
Preferia-o cinzento,
Semelhante a um abraço solidário.
Mas o tempo não tem
Que saber do meu cansaço
E o dia não nasce
Vestido das minhas mágoas.

A mim,
Pareceu-me que o Sol se espraiava
Num laranja atónito,
Um tom quente a lembrar
O fogo da paixão
Num silêncio cortante
Entre o erro e a razão...

A mim,
Pareceu-me que o dia preconizava
A liberdade e o amor
Na linha do horizonte onde o Sol
Todos os dias se põe!

11.04.2014




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Instante




Ainda assim,
Eu poderia mergulhar
Nos mares da incerteza
E deixar que fosse o tempo
A devolver-me as rédeas da vida...
Mas, 
Curto é o instante
Do semblante da noite
Quando veste o meu olhar,
E não me deixo mergulhar!



27/09/2011

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